Il momento della massima tensione, il rischio evitato, i fallimenti e i bifanas. Dietro le quinte del governo nella crisi del blackout

    https://observador.pt/especiais/o-momento-de-maior-tensao-o-risco-evitado-as-falhas-e-as-bifanas-os-bastidores-do-governo-na-crise-do-apagao/

    di mar_lx

    Share.

    4 commenti

    1. ForsakeNtw on

      # O momento de maior tensão, o risco evitado, as falhas e as bifanas. Os bastidores do Governo na crise do apagão

      **Miguel Santos Carrapatoso**

      Cinco horas de autonomia, 400 litros de combustível. É a capacidade do gerador da Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa, a infraestrutura que mais preocupações gerou ao longo das 12 horas que durou o apagão que atingiu o país. A determinada altura, a situação aproximou-se do limite. Era preciso garantir que chegava mais combustível àquela unidade hospitalar – e fazê-lo rapidamente para reduzir a zero o risco de o gerador parar. Mas havia dificuldades logísticas associadas ao transporte (em segurança) do combustível. Os que conseguiriam assegurar essa missão não estavam suficientemente perto; os outros não tinham meios para o fazer naquele momento. A ordem foi clara: mobilizar meios para o terreno e garantir que o combustível chegava a tempo à MAC. Mesmo que houvesse redundâncias.

      No Palacete de São Bento, onde estava reunido o Conselho de Ministros, chegou a ser equacionada por alguns breves momentos uma solução de recurso e altamente engenhosa: os motoristas dos ministros usariam as viaturas oficiais para se deslocarem até à maternidade e usar o combustível que tinham nos carros. Só que os modelos mais recentes têm mecanismos de segurança para impedir o roubo de combustível, o que tornaria toda a operação impraticável. Havia igualmente a hipótese de seguirem para postos de combustível para que enchessem quatro ou cinco jerricans e seguissem depois para a maternidade. Mas acabou por não ser necessário: o transporte foi assegurado por um camião-cisterna da GNR vindo da Trafaria que serviu igualmente outros hospitais. A situação-limite fora ultrapassada.

      Mas os riscos não estavam ainda totalmente afastados. Na verdade, os elementos do Governo que respondiam à crise, alimentados à base de bifanas, o jantar improvisado que foi chegando à residência oficial do primeiro-ministro, só puderam respirar de alívio quando a energia foi reposta. Há quem reconheça que a experiência distópica que o país viveu durante 12 horas poderia ter sido bem diferente – e porventura bem mais grave – se a energia não tivesse sido restabelecida ainda antes de o Sol se pôr completamente. Uma coisa é gerir uma crise de energia durante o dia; outra coisa totalmente diferente é assegurar a serenidade e a ordem durante a noite.

      As previsões da REN apontavam para que a energia só regressasse a Lisboa já perto da meia-noite, o que tornaria toda a situação mais imprevisível. Os riscos de desacatos, episódios de violência e possíveis assaltos aumentavam. Aconteceu noutras latitudes, em situações idênticas. Por isso, as forças de segurança tinham instruções claras para que fossem para a rua, em estado de prontidão e fazer vigilância. A luz voltou pelas 20h30, sem que as ruas tivessem mergulhado na escuridão total. Nesse preciso momento, por um segundo, houve uma falha de luz em São Bento, quando o gerador se desligou para que o sistema regressasse ao normal. Um pequeno soluço depois de 12 horas de tensão.

      Pelas 12 horas, 30 minutos depois de a energia cair, o staff de António Leitão Amaro, ministro da Presidência e responsável por centralizar todas as informações à comunicação social, sinalizava a disponibilidade para prestar declarações. E assim fez. Primeiramente com as rádios – o meio privilegiado por motivos óbvios -, depois com as televisões. Mais tarde, ao longo do dia de segunda-feira, o Governo fez diligências junto de alguns meios de comunicação social (sobretudo televisões) para perceber se tinham garantias de autonomia para manter as respetivas emissões.

    2. O que nunca ninguém poderia ter previsto é que as primeiras palavras de tranquilidade e bom senso saíssem da boca do Nuno Melo.

    Leave A Reply